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Mais nova ave da fauna brasileira tem risco de extinção




A mais nova ave da fauna brasileira já corre risco de extinção. Trata-se do caburé-de-Pernambuco, um tipo de coruja identificada que vive na Mata Atlântica do Estado, cuja existência foi oficializada no início do mês pela Conservation International do Brasil.

"Se não for preservado o habitat do Glaucidium moorerum (nome científico da corujinha) a espécie pode desaparecer nos próximos anos", advertiu a repórteres nesta segunda-feira o vice-presidente da organização, José Maria Cardoso. Ele é um dos autores do artigo que oficializou a descoberta e que foi publicado no começo de junho pela Revista Brasileira de Ornitologia.

O caburé-de-Pernambuco tem cerca de 15 centímetros de comprimento e foi confundido, nos últimos 20 anos, com uma ave semelhante originária da Amazônia, o Glaucidium hardyi. "Mas quando passamos a estudar com mais detalhamento, vimos que há várias diferenças na plumagem e tamanho, o que justifica considerá-la uma nova espécie", explicou o especialista.

Até agora a corujinha só foi observada na mata da Usina Trapiche e na reserva ecológica de Saltinho, que faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, ambas na Zona da Mata Sul de Pernambuco. As pesquisas para confirmar a novo tipo de ave basearam-se em um espécime coletado nos anos 1990 por um professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo Cardoso, também foi possível gravar sua voz. "No caso das corujas, este é um item fundamental para identificação da espécie", esclareceu ele. 

O material sonoro foi analisado no Laboratório da Voz de Aves da Universidade Federal do Rio de Janeiro e decisivo para distinguir o caburé-de-Pernambuco de seu parente amazônico. De acordo com o ornitólogo, várias comparações foram feitas com outros tipos de coruja, em coleções no Brasil e no exterior, até a conclusão positiva da pesquisa.

Cardoso informou que descoberta do caburé-de-Pernambuco demorou em função da dificuldade de se localizá-lo no ambiente natural. A corujinha tem plumagem marrom, o que a esconde nos locais onde vive, na parte mais alta da floresta, sobre a copa das árvores. Também a reduzida quantidade de exemplares dificultou o trabalho. A estimativa é que existam em torno de 50 exemplares adultos. "Com todas essas dificuldades, ainda não conseguimos fotografar o animal no seu habitat", contou.

Essas peculiaridades já colocam a pequena coruja pernambucana na categoria dos animais ameaçados de extinção. "Apesar do desmatamento e da falta de cuidado com a Mata Atlântica, a nova ave mostra que ainda restam descobertas no ecossistema. É importante trabalhar pela floresta e em um sistema de unidades de conservação para garantir a existência dessas espécies", concluiu o especialista.

 

Ibama tenta regularizar a situação de quem cria animais silvestres


Cobras, lagartos, macacos-prego, jaguatiricas, papagaios... Não é fácil: quem tem um desses bichos silvestres em casa, além de ser tachado de excêntrico (no mínimo), ainda corre o risco de enfrentar problemas com a legislação ambiental, caso não tenha como comprovar a origem dos animais, frequentemente vendidos em beira de estradas.

Pois essa sensação de viver à margem da lei pode estar com os dias contados. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) está estudando como regularizar as situações de guarda que já existem de fato. A proposta de resolução deve ser enviada ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) no segundo semestre deste ano.

"O recomendável é que não se tenha animais silvestres em casa, mas manter bichos como papagaios, tartarugas etc. é um hábito cultural arraigado no país. Estamos estudando como resolver isso sem estimular um possível modismo", afirma Rômulo Melo, diretor de fauna do Ibama. Não existe estimativa nem controle do contingente que vive atualmente em ambientes domésticos. Uma das vantagens da regularização, portanto, seria facilitar a fiscalização, até para saber se os bichos estão adaptados e são bem tratados.

Além disso, poderia dificultar o abandono, que é muito comum depois de um certo tempo e capaz de causar desequilíbrios ecológicos, se a reintrodução na natureza se der em ambiente inadequado. Meninos, por exemplo, adoram comprar cobras, lagartos e outros bichos exóticos na adolescência, mas costumam cansar do "brinquedinho" quando crescem. "Também há muita gente que pega um macaco para criar porque é um animal inteligente, muito brincalhão, mas, quando o bicho quebra o primeiro vaso, é colocado na rua", conta o diretor do Ibama.

Armado com um 38, ladrão só queria Saddam, o pit bull


Saddam foi encontrado. E não se trata do ditador iraquiano Saddam Hussein, mas de um pit bull de três meses que havia sido roubado de seu dono no sábado e que foi achado ontem pela polícia. Izaque Mattiuzzi, de 19 anos, passeava com o cachorro por uma rua da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, onde mora, quando foi abordado por Renato Ferreira dos Santos, de 18. "Ele tirou a arma e me disse: 'Só quero o cachorro'", conta Mattiuzzi, que comprou o cão de um amigo por R$ 300, logo que o bicho nasceu. "Tive de entregar."

Depois de levar o cachorro, o assaltante seguiu em direção à Favela Divinéia, que fica no mesmo bairro. Chateado com a perda do cão, Mattiuzzi pediu a um tio que fosse à polícia registrar queixa. Ontem, policiais do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) avistaram, de binóculo, o cachorro em cima da laje de uma casa da favela. "Fomos até lá e prendemos o assaltante e o revólver calibre 38 que ele estava usando", disse o delegado-titular do Garra, Osvaldo Nico Gonçalves.

Segundo ele, Santos era receptador de objetos roubados e provavelmente levou o cachorro para vendê-lo. "Ele vale de R$ 800 a R$ 1.500", disse. "Mas o importante foi prendê-lo com a arma. É mais um assaltante fora da rua."

Hoje, Saddam deve ir ao veterinário. "Ele está mais magro, meio judiado", disse Mattiuzzi. "Acho que não deram comida para ele direito." O cachorro reconheceu o dono quando ele foi buscá-lo na delegacia. "Fez a maior festa. Estava sentindo a falta dele."

São Paulo, um canil a céu aberto


As ruas de São Paulo estão virando um grande canil. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto de Proteção aos Animais do Brasil (Ipab), o número de cachorros abandonados pela cidade triplicou em relação ao ano passado. E a grande maioria deles, quase 75%, é de raça e tem pedigree - como dobermann, fila brasileiro, pit bull e poodle.

O motivo das pessoas estarem se livrando desses animais é o custo de vida deles. No mínimo, o dono de um cão de porte médio gasta R$ 200 por mês - entre visitas ao veterinário, ração, brinquedos e outros mimos. Isso se o cachorro não ficar doente
(uma radiografia costuma custar R$ 80 e uma injeção de antibióticos não sai por menos de R$ 70).

"Muita gente sem nenhuma condição comprou ou ganhou filhotinhos de raça nos últimos meses, principalmente pit bulls", diz Maurício Esteves Coca, presidente e fundador do Ipab. "Só que esses filhotinhos cresceram e começaram a comer demais. E as pessoas ficaram sem dinheiro para mantê-lo."

No ano passado, Maurício costumava receber semanalmente por volta de 40 ligações de pessoas interessadas em doar seus animais de estimação. Agora, seu telefone toca até 120 vezes por semana. "É espantoso. O mais triste é que esse número tende a crescer, pois as pessoas costumam abandonar mais seus cachorros no inverno", diz. "É época de cio, e as fêmeas são muitas vezes desprezadas depois de darem filhotes."

Comparando o número de cães de raça abandonados nos últimos anos, o espanto é ainda maior. "Antes, 90% dos cachorros que eram deixados na rua não tinham raça definida, eram vira-latas", conta Maurício. "Mas nos primeiros seis meses deste ano, o balanço quase se inverteu. Quase 75% deles têm raça e pedigree. Além de vergonhoso, isso é muito perigoso. Imagina só encontrar um pit bull com fome no meio da rua."

A veterinária Lisbete Aguiar, que mantém uma espécie de asilo para cães abandonados, aponta que o único jeito desses números pararem de crescer é com a conscientização das pessoas. "Ter um animal em casa significa muita responsabilidade", diz. "É como um filho, não dá para desprezá-lo. É necessário dar-lhe comida, atenção e muito carinho."

 

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