Exigências para Angra 3

Angra 3Após sete audiências públicas, sendo quatro somente neste ano, o projeto Angra 3 nunca esteve tão perto de sair do papel. A construção da usina nuclear foi pré-aprovada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio de licença ambiental assinada pelo presidente do órgão, Roberto Messias, que estabeleceu 60 condições para o início da obra.

Entre as condições, está a solução definitiva para o lixo nuclear que será produzido pela usina, a contratação de uma empresa independente para o acompanhamento da radiação, a resolução de problemas de saneamento básico nas Cidades de Angra dos Reis e Paraty, ambas no Rio de Janeiro, a adoção do Parque Nacional da Serra da Bocaina, nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e a implantação de programas ambientais.

Sobre o lixo nuclear, sabe-se que a França vem desenvolvendo uma tecnologia que possibilitará a reutilização desse material, a princípio sem utilidade. Assim, a opção seria guardar provisoriamente o lixo, com a expectativa de vir a utilizá-lo, o que alguns países já estão fazendo. Para isso seria criada a Empresa Brasileira de Rejeitos.
Angra 3 terá capacidade para gerar 1.350 megawatts (MW), custará R$ 7,3 bilhões e será construída pela estatal Eletrobrás Termonuclear, a Eletronuclear.

O Brasil ingressou no rol dos países produtores de energia nuclear na década de 1960 e teve o seu programa nuclear impulsionado com o chamado “milagre econômico”, nas décadas de 1970 e 1980, por meio de transferência de tecnologia do governo alemão. O Estado escolhido foi o Rio de Janeiro, onde foram construídas Angra 1, que fornece 657 MW, e Angra 2, capaz de produzir 1.350 MW.

As duas usinas respondem por cerca de 3% da energia produzida no País e 50% do consumo no Estado do Rio de Janeiro. Nos anos 1980, o Governo, através da Nuclebrás, chegou a cogitar a construção de usinas nucleares nos Municípios de Iguape e Peruíbe, no Litoral de São Paulo. Um forte movimento ecológico repeliu a pretensão, o que resultou na implantação da Estação Ecológica da Juréia-Itatins.

Agora, após ficar paralisado por mais de 25 anos, o programa nuclear brasileiro é retomado com o projeto de Angra 3. Conforme já anunciado, o Governo pretende construir mais seis a oito usinas nucleares, até 2030, no Nordeste e no Sul do País. Contudo, o Brasil precisa estar preparado para assumir os riscos ao meio ambiente.

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