Cerveja e chope proibidos em embalagem PET
Comemorada como uma vitória do meio ambiente, a Justiça Federal proibiu que qualquer cervejaria no País distribua cerveja ou chope em embalagem PET. A sentença mantém uma liminar concedida em 2003, na Ação Civil Pública movida pelo procurador da República em Marília, Jefferson Aparecido Dias.
A Cervejaria Belco é uma das atingidas. Com a sentença a indústria ficou impedida de produzir cerveja e chope em PET, além do pagamento de multa de R$ 100 mil por dia, em caso de descumprimento, podendo ainda ter que responder inquérito criminal e ter sua linha de produção lacrada pelo Ministério da Agricultura.
A Belco industrializa cerveja e refrigerante, com matriz no Distrito de Aparecida de São Manuel, no Município de São Manuel, no Interior de São Paulo, e filial na Cidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Apesar da decisão desfavorável, o site da empresa, em www.belco.com.br, continua anunciando os produtos na embalagem PET.
Para o ambientalista Marcelo Novaes, permitir a produção de cerveja em PET poderá provocar “um caos ambiental”, com o despejo de mais de 9 bilhões de garrafas PET em lixos e aterros, sem tratamento adequado.
Além disso, nas chuvas, as PETs são causadoras do entupimento de bueiros, provocando enchentes e danos à população.
Biólogo e coordenador do Movimento PET Consciente, Marcelo argumenta que o problema é que não existe, até o momento, uma legislação que obrigue as empresas a cuidar do lixo gerado depois do consumo dos seus produtos. Se houvesse essa exigência, seria um avanço e tanto na questão ambiental.
Hoje, metade das embalagens PET produzidas no Brasil, cerca de 200 toneladas, acaba sendo jogada no mar, rios, lagos, córregos e lixões. Na coleta seletiva, o PET representa em média 31% dos plásticos recicláveis. Segundo informações da Limpurb, em São Paulo as garrafas PET representam 14,8% do lixo produzido.
O livro Ciclo da Vida de Embalagens para Bebidas no Brasil, de autoria da engenheira química Renata Valt, informa que uma embalagem PET demora cerca de 100 anos para se decompor.