Tomando a água dos outros

O Brasil lidera um interessante ranking: o de países importadores de água virtual agrícola, aquela que é utilizada em plantações para a produção de bebidas, alimentos e roupas. Segundo o relatório da Ong Ambiental WWF (Worldwide Fund for Nature), enquanto o país exporta 91 bilhões de m3 de água agrícola virtual por ano, importa muito mais, cerca de 199 bilhões de m3, ou seja, uma diferença de 107 bilhões de m3 a cada ano.

Em segundo lugar nesse ranking negativo está o México, com importação líquida de 84 bilhões de m3 por ano; seguido de Japão, com 83 bilhões de m3; China, 78 bilhões de m3; Itália, 50 bilhões de m3; e Grã-Bretanha, 40 bilhões de m3.
Somente no Reino Unido, cada pessoa consome nas tarefas diárias uma média de 150 litros de água por dia. Este total, porém, chega a 4.645 litros de água per capita por dia quando se leva em conta a água “virtual” consumida na produção de alimentos, roupas e outros produtos.

Na Grã-Bretanha, conforme o WWF, apenas 38% do total de água consumida vem de seus próprios rios, lagos e reservas. O restante é de recursos de vários países, utilizados para irrigar e processar alimentos e fibras que as pessoas consomem.
No Brasil, cada pessoa consome 340 litros de água por dia em média, quando o nível exigido seria de 160 litros. Brasília, que poderia ser exemplo, consome 1.000 litros diários por pessoa!

Especialistas temem que no futuro haja guerra por água e não apenas por petróleo, como nos dias de hoje. Em parte, o perigo está no fato de que nenhum país é totalmente dono de sua própria água.

A água tornou-se um dos produtos mais presentes no comércio global. Países com poucos recursos hídricos, como a China, compensam a escassez importando a “água virtual” embutida em produtos agrícolas ou industriais.

Estima-se que sejam necessárias 10 toneladas de água para produzir o equivalente a US$ 2 em trigo e a mesma quantidade do recurso natural, em média, para obter um produto industrializado de US$ 140.

 

 

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