Reflexos do aquecimento global na agricultura brasileira

O mapa agrícola do Brasil poderá ser afetado por uma mudança climática, alerta estudo divulgado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O trabalho considera que o aquecimento global poderá forçar a migração de culturas, a diminuição de área de cultivo e maior pressão sobre a chamada área de "fronteira agrícola", entre o Cerrado e a Amazônia.
Para fazer as projeções, os pesquisadores da Unicamp e da Embrapa produziram mapas climáticos dividindo o território nacional em áreas de 50 quilômetros quadrados. O estudo levou 10 meses e custou R$ 530 mil, financiados pela Embaixada Britânica.
O Sul, Sudeste e o Nordeste do país serão as áreas mais afetadas com o fenômeno, podendo resultar na transferência de culturas para as áreas agricultáveis da Amazônia Legal e no aumento do fluxo migratório para a região.
Com exceção da cana-de-açúcar e da mandioca que podem ter seu volume de terras proliferado a medida do aumento do calor, as projeções prevêem que todas as demais culturas estudadas sofrerão impacto negativo com o aquecimento da temperatura no planeta.
O estudo contabiliza ainda que, se nada for feito para reverter o mal, a agricultura brasileira poderá perder até R$ 7,4 bilhões ao ano, a partir de 2020, com a diminuição da safra de grãos. Em 2070, o prejuízo poderá contabilizar até o dobro e chegar a R$ 14 bilhões/ano.
A soja é a safra que poderá ser mais prejudicada pelo aquecimento global e perder sua área agricultável em até 40%. Segundo os pesquisadores, embora o Brasil hoje plante esse grão em cerca de 22 milhões de hectares, possui uma área apta para o cultivo de 279 milhões de hectares, que seria reduzida para 213 milhões de hectares.
O Brasil tem hoje uma safra de soja em torno de 60 milhões de toneladas, contra pouco mais de 80 milhões de toneladas dos norte-americanos.
É bom lembrar que não há unanimidade na comunidade científica sobre as causas do aquecimento global: enquanto alguns atribuem o aumento de temperatura à emissão de gases que destroem a camada de ozônio que protege a Terra de raios solares, outros não vêem na ação do homem razões suficientes para o aumento do aquecimento, e explicam o fenômeno com base no aumento da intensidade dos raios solares e dos ciclos da Terra, entre outros fatores.

 

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